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Estudo em cinco países da América Latina revela que baixa oferta de treinamentos impacta nos resultados do tratamento do paciente
Publicado em 15/02/2010 | Jennifer Koppe

Os avanços cada vez mais velozes na medicina obrigam os profissionais da saúde a buscar atualização constante. Pelo menos deveria ser assim, mas na prática as coisas são diferentes. Pesquisa da empresa médica Johnson & Johnson em parceria com o Instituto das Américas (organização que trabalha pela integração e desenvolvimento na América Latina) revela que se manter atualizado é um dos principais desafios para médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais da área.

O levantamento envolveu 393 profissionais do Brasil, México, Ar­­gentina, Colômbia e Porto Rico e revela que 98% dos entrevistados consideram o treinamento importante ou muito importante para a utilização de novas técnicas. En­­tretanto, para 41% a oferta de treinamentos deixa a desejar em comparação com Estados Unidos ou Eu­­ro­­pa. Cerca de 72% dos desafios mencionados estão relacionados a treinamento e informações sobre técnicas médicas, entre eles a segurança no diagnóstico, a falta de técnicos capacitados e preparados, a dificuldade de entender a utilização racional do equipamento ou dis­­positivo e a dificuldade de conciliar o conhecimento técnico com o teórico.

O custo alto dos equipamentos, que se imaginava ser o principal desafio dos profissionais na América Latina, onde os recursos costumam ser escassos, principalmente na rede pública, apareceu em segundo lugar (19%). No Brasil, os resultados foram semelhantes. Cerca de 62% revelaram que o maior desafio é manter-se atualizado. Apenas 10% citaram os altos custos dos equipamentos.
Perfil

Quatro entre dez entrevistados na pesquisa são do Brasil e dois terços atuam na área de saúde há mais de 11 anos.

– Entre os profissionais entrevistados estão cirurgiões, patologistas, farmacêuticos e bioquímicos, cardiologistas, biomédicos, microbiólogos, bacteriologistas, enfermeiros, técnicos e hematologistas.

– Os países mais representados na amostra de 393 profissionais foram o Brasil, com 41% das entrevistas, e o México, com 25%.

– Cerca de 64% dos entrevistados têm entre 35 e 54 anos. Aproximadamente 74% estão na metade da carreira e atuam na área há mais de 11 anos.

– Cerca de um terço dos entrevistados declarou participar de cursos nacionais duas vezes por ano, enquanto 45,9% frequentam congressos internacionais uma vez por ano.

Apesar dos problemas levantados, 93% dos profissionais consultados na pesquisa declararam participar com frequência de cursos de aperfeiçoamento e treinamento. A maioria, entretanto, limita-se a oportunidades no país. Apenas 49% conseguem participar de cursos e congressos no exterior. A pesquisa também constatou que o nível de interesse dos profissionais de saúde da América Latina por oportunidades internacionais de aprendizado é maior do que a participação efetiva. Nove entre dez entrevistados afirmaram ter interesse em trocar experiências com profissionais de outros países. Mas só 49% disseram participar de congressos e cursos no exterior.

“Apesar de os números serem bons, ainda estamos distantes do ideal. Os principais congressos e cursos de treinamento ocorrem em outros países e, principalmente para os brasileiros, é mais difícil participar devido aos custos e distância. O idioma também atrapalha. Para profissionais do México e Porto Rico, por exemplo, é mais comum participar de eventos internacionais”, explica o médico Almino Cardoso Ramos, representante do Instituto das Américas e doutor em cirurgia digestiva.

Para Ramos, o ideal é que os médicos passem por algum curso de reciclagem a cada quatro anos, no máximo. A atualização também é necessária para operar novos equipamentos ou aplicar novas tecnologias. “É preciso criar centros de aperfeiçoamento aqui no Brasil para que o médico não tenha necessidade de viajar a outro país. Temos condições de treinar nossos profissionais aqui mesmo.”

Centro reúne todas as tecnologias num só lugar

Inaugurado no início deste mês, o Johnson & Johnson Medical Innovation Institute (Instituto de Inovação Médica da Johnson & Johnson) é o primeiro centro de treinamento da América Latina a reunir todas as tecnologias da área médica e cirúrgica em um só lugar. O Brasil foi escolhido para ser sede do instituto porque conta com a maior população do continente e o maior número de profissionais de saúde.

Segundo o diretor do centro, George Marques da Silva Filho, o Brasil é referência na realização de congressos médicos e respeitado pelos países vizinhos. “Acredita­mos, inclusive, que, com a abertura do instituto, pode haver uma migração de treinamento para dentro do país, poderemos desenvolver essa área”, explica. O centro não tem fins lucrativos e, a princípio, oferecerá os programas de atua­­lização gratuitamente a qualquer profissional de saúde, da área pública e privada. Com capacidade para 7 mil alunos por ano, já está com 4 mil vagas fechadas.

O Innovation Institute tem salas de cirurgia com simuladores de realidade virtual para videolaparoscopia e procedimentos cardiovasculares, o que permite aos coordenadores dos programas ensinar diferentes tipos de procedimentos. Os aparelhos funcionam da mesma forma que os simuladores de voo.

O local também oferece sala de cirurgia com integração de todos os equipamentos e permite que o cirurgião controle qualquer um por meio de tecnologia touch-screen (tela sensível ao toque) e comando de voz. Ainda é possível realizar a telemedicina, com médicos de qualquer parte do mundo, e há salas de aula interligadas e laboratórios para o treinamento de procedimentos abertos ou minimamente invasivos.

Como explica o cardiologista intervencionista Andrés Sanchez, existem apenas seis simuladores endovasculares na América La­­tina. “O uso desses simuladores é muito importante porque diminuem a curva de aprendizado do aluno. Também é uma técnica mais segura e que ainda diminui o uso de animais no treinamento das cirurgias”, diz.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br

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